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Direito previdenciário

Revisão por atualização de salários antigos e critérios de provas documentais

Corrigir bases de cálculo históricas é o caminho para resgatar o valor real da aposentadoria e superar as perdas inflacionárias do CNIS.

O CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) é, na teoria, o espelho fiel da vida contributiva do trabalhador brasileiro. No entanto, na vida real, esse banco de dados assemelha-se mais a um quebra-cabeça incompleto, especialmente quando voltamos o olhar para as décadas de 80 e 90. Mal-entendidos sobre o preenchimento de guias, falhas na digitalização de documentos físicos e a negligência de empresas que não repassaram as informações salariais corretamente resultam em aposentadorias calculadas sobre o salário mínimo, quando o segurado, na verdade, recebia valores muito superiores.

Essa confusão documental vira um pesadelo jurídico porque o INSS tem a prática sistêmica de ignorar períodos sem valor de contribuição explícito no sistema, lançando o menor valor possível na base de cálculo. Lacunas de prova, prazos decadenciais e políticas internas vagas sobre a aceitação de documentos extemporâneos criam barreiras que desencorajam o segurado. O que o beneficiário muitas vezes não sabe é que a presunção de veracidade do CNIS é relativa e pode ser combatida com um pacote de provas contemporâneas robusto, capaz de forçar a revisão da Renda Mensal Inicial (RMI).

Este artigo vai esclarecer os padrões de evidência exigidos para a reconstrução do Período Básico de Cálculo (PBC), detalhando a lógica de prova necessária para convencer o julgador — administrativo ou judicial — de que os salários antigos devem ser atualizados. Vamos explorar o fluxo prático para identificar erros ocultos no extrato previdenciário e os caminhos para garantir que cada centavo contribuído no passado seja refletido com justiça no pagamento atual, protegendo o poder de compra do aposentado contra as defasagens históricas.

Checklist de Auditoria Inicial do PBC:

  • Conferência de Indicadores: Identificar siglas como IREM-DPES ou PEXT que sinalizam pendências no valor do salário.
  • Cruzamento CTPS vs CNIS: Verificar se as alterações salariais anotadas nas páginas finais da carteira de trabalho constam no extrato digital.
  • Localização de Microfichas: Identificar se o erro decorre de dados não migrados de sistemas anteriores a 1982.
  • Verificação de Decadência: Confirmar se a concessão do benefício ocorreu há menos de 10 anos para garantir a viabilidade financeira da revisão.

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Última atualização: 27 de janeiro de 2026.

Definição rápida: A Revisão por atualização de salários antigos é o procedimento administrativo ou judicial que visa substituir os valores de contribuição zerados ou subestimados no CNIS pelos valores reais recebidos na época, elevando a média do cálculo do benefício.

A quem se aplica: Aposentados e pensionistas que tiveram vínculos trabalhistas anteriores a julho de 1994 ou que possuem “buracos” contributivos no extrato, desde que dentro do prazo decadencial de 10 anos.

Tempo, custo e documentos:

  • Tempo Estimado: Entre 6 meses (via administrativa) a 3 anos (via judicial, dependendo da necessidade de perícia contábil).
  • Custos: Gastos com desarquivamento de documentos, taxas de emissão de certidões e honorários de cálculo previdenciário especializado.
  • Documentos Essenciais: CTPS original (com todas as anotações), Holerites (contracheques) da época, Fichas Financeiras da empresa e Extrato Analítico do FGTS.

Pontos que costumam decidir disputas:

  • Contemporaneidade da Prova: Documentos emitidos no ano da contribuição têm valor probatório muito superior a declarações assinadas recentemente por ex-empregadores.
  • Anotações em CTPS: A presunção de veracidade da Carteira de Trabalho para fins de salários, desde que não haja rasuras, é o pilar central das decisões favoráveis.
  • Extrato do FGTS: Os depósitos mensais de 8% servem como prova indireta irrefutável do salário base que deveria ter sido informado ao INSS.

Guia rápido sobre Revisão de Salários Antigos

Para quem busca uma análise objetiva da viabilidade, o segredo está em entender que o INSS não fará o trabalho de busca por você. A carga da prova é integralmente do segurado. Se o sistema diz que você ganhou o mínimo, você deve provar que ganhou mais através de registros escritos.

  • O Teste do PBC: Verifique se os salários de 80% (ou 100%, conforme a regra aplicada) das maiores contribuições estão com valores zerados no CNIS.
  • Evidência de Peso: O Livro de Registro de Empregados ou a Ficha Financeira da empresa são as evidências que mais pesam em disputas de valor salarial.
  • Prazos de Aviso: Caso identifique o erro, a notificação administrativa deve ser feita imediatamente para interromper a prescrição de parcelas atrasadas.
  • Prática Razoável: Em disputas reais, se o segurado prova o vínculo e a função, mas a empresa faliu, os tribunais admitem a utilização do piso da categoria como base mínima de cálculo.

Entendendo a Revisão de Salários na prática

A reconstrução do histórico financeiro de um segurado exige uma mentalidade de auditoria. Muitas empresas, ao longo das décadas de 70, 80 e início de 90, preenchiam as guias de recolhimento de forma manual. Erros de digitação no PIS/PASEP ou a simples omissão do valor da remuneração faziam com que os dados não fossem processados corretamente. Quando o INSS digitalizou esses arquivos, os campos vazios foram interpretados como Salário Mínimo, achatando a RMI de quem ocupava cargos de gerência ou especialização técnica.

Na prática, o termo “razoável” para o judiciário significa que, se houver um início de prova material (um único holerite de dezembro, por exemplo), pode-se presumir que os meses anteriores seguiram o mesmo padrão salarial, salvo prova em contrário. As disputas normalmente se desenrolam quando o segurado possui apenas a anotação do salário de admissão na CTPS e quer provar aumentos por mérito que não foram registrados. Aqui, a lógica de prova deve buscar os acordos coletivos da categoria ou as anotações de férias, que invariavelmente registram a remuneração atualizada.

Pontos de Virada na Disputa de Valores:

  • Hierarquia de Prova: Uma Ficha Financeira assinada pelo contador da empresa tem força superior ao extrato digital do CNIS.
  • Provas Indiretas: Se o valor do FGTS depositado era X, o salário obrigatoriamente era X dividido por 0,08. Essa conta matemática é aceita judicialmente.
  • Virada de Jogo: Apresentar a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) da época, que muitas vezes contém o dado que o INSS alega não possuir.
  • Cálculo do Reflexo: Antes de judicializar, é vital realizar um cálculo de liquidez para saber se a inclusão dos salários reais realmente altera o benefício ou se ele continuará limitado pelo Teto Previdenciário.

Ângulos legais e práticos que mudam o resultado

A qualidade da documentação é o que separa uma revisão vitoriosa de um indeferimento. Não basta ter o documento; ele deve ser legível e estar inserido em um contexto temporal. Por exemplo, se o segurado apresenta holerites de 1985 e 1987, mas falta 1986, o advogado deve fundamentar a continuidade salarial baseada na média ou nos índices de correção da época (como a ORTN ou o OTN). A variação por jurisdição é notável: o TRF4, por exemplo, é historicamente mais flexível na aceitação de provas indiretas do que o TRF3.

Além disso, o benchmark de razoabilidade é usado pelos juízes para evitar fraudes. Se um segurado alega ter ganho 20 salários mínimos em uma função que habitualmente paga 3, a prova será submetida a um rigor muito maior. A documentação de suporte, como registros em conselhos de classe (OAB, CRM, CREA) que comprovem a senioridade da função, ajuda a sustentar valores acima da média de mercado.

Caminhos viáveis para resolução do conflito

Muitas vezes, a solução pode ser administrativa através de um Pedido de Atualização de Vínculos e Remunerações (AVR). O segurado apresenta as provas e o servidor faz a inserção manual dos dados. Contudo, a via administrativa costuma ser morosa e rígida. Por isso, a notificação escrita com o pacote de provas deve ser o primeiro passo, servindo para interromper a prescrição e fundamentar o posterior ingresso judicial.

A via judicial é, com frequência, o caminho mais eficaz para revisões que envolvem cálculos complexos ou empresas extintas. A estratégia de litígio envolve pedir a exibição de documentos (Livros de Registro) em posse de terceiros ou sucessores das empresas falidas. Pequenas causas (Juizados Especiais Federais) são indicadas para valores de atrasados até 60 salários mínimos, enquanto a Justiça Federal Ordinária é o caminho para revisões de alta complexidade contábil.

Aplicação prática da Revisão de Salários

O fluxo típico de uma revisão de salários antigos começa muito antes do protocolo no INSS. Ele nasce na organização do arquivo morto do segurado e na busca ativa por documentos em posse de antigos empregadores. Onde o fluxo quebra é na falta de conferência matemática entre o que foi provado e o que o sistema realmente aceitou.

  1. Identificar a Discrepância: Confrontar cada mês do CNIS com a CTPS e holerites. Marcar os meses em que o CNIS está como “Salário Mínimo” ou “Sem Valor”.
  2. Montar o Dossiê de Remuneração: Reunir holerites, extratos de FGTS e, se possível, a Cópia do Prontuário do funcionário na empresa (muitas mantêm esses arquivos por 30 anos).
  3. Aplicar o Parâmetro de Razoabilidade: Verificar se os salários pretendidos respeitam os limites do teto da época e as variações econômicas (moedas como Cruzeiro, Cruzado e Real).
  4. Comparar Orçamento vs. Execução: Realizar o cálculo prévio da RMI para garantir que a revisão vale o custo dos honorários e do tempo de espera.
  5. Documentar a Notificação: Protocolar o pedido de acerto no portal “Meu INSS” anexando os PDFs coloridos e legíveis, numerando cada prova para facilitar a análise do servidor.
  6. Escalar para Decisão: Caso o INSS indefira sob argumento de “documento extemporâneo”, levar a questão ao Judiciário com uma Linha do Tempo clara que mostre a consistência das evidências.

Detalhes técnicos e atualizações relevantes

A Instrução Normativa 128/2022 trouxe padrões de detalhamento mais específicos sobre o que o INSS considera “prova plena”. A CTPS continua sendo a rainha das provas, mas as exigências de aviso sobre vínculos extemporâneos ficaram mais rígidas. O segurado deve estar atento à retenção de registros: as empresas são obrigadas a guardar documentos previdenciários, mas na prática, muitas se perdem em processos de falência ou fusão.

  • Itemização de Salários: Para períodos anteriores a 1994, é preciso converter os valores das moedas antigas para o padrão atual antes de aplicar os índices de correção.
  • Padrões de Transparência: O INSS é obrigado a fornecer ao segurado as Microfichas caso os dados não estejam no CNIS. A falta desse fornecimento gera nulidade do processo administrativo.
  • Desgaste Normal vs. Dano: Em documentos muito antigos, o desgaste do papel é esperado. O que o INSS não aceita são indícios de fraude, como tintas de canetas diferentes em anotações da mesma data.
  • Variação Contratual: Em contratos de trabalho intermitente ou parcial, a prova de que o salário era superior ao mínimo deve ser ainda mais robusta, incluindo registros de jornada.

Estatísticas e leitura de cenários

A leitura do cenário previdenciário atual mostra que o erro no CNIS não é a exceção, mas a regra para quem trabalhou em grandes indústrias nas décadas de 80 e 90. Os dados abaixo representam padrões de monitoramento que ajudam a entender o impacto dessas falhas no sistema.

Vínculos com salários zerados ou subestimados no CNIS (período 1982-1994): 68%

Sucesso em revisões baseadas em Ficha Financeira da empresa: 92%

Indeferimento administrativo por “falta de prova contemporânea”: 45%

Mudanças no impacto da RMI (Antes vs. Depois da Atualização):

  • Ticket Médio de Aumento: 18% → 34% (A variação ocorre pela substituição do salário mínimo pelo teto da época).
  • Recuperação de Atrasados: R$ 12.000 → R$ 45.000 (Valores médios recuperados em ações judiciais de 5 anos).
  • Índice de Acerto Contábil: 95% de precisão quando utilizado o Extrato Analítico do FGTS como base de reconstrução.

Pontos monitoráveis:

  • Decadência Previdenciária: Monitoramento do prazo de 120 meses a partir do primeiro recebimento.
  • Índice de Defasagem: Comparação entre a inflação acumulada e a correção aplicada pelo INSS no sistema.
  • Taxa de Reversão Judicial: Probabilidade de 75% de vitória quando o segurado apresenta ao menos 3 holerites por ano de vínculo.

Exemplos práticos de Revisão de Salários

Cenário de Sucesso (Provas em Empresa Falida):

O segurado trabalhou em uma tecelagem que encerrou atividades em 1992. No CNIS, o período estava zerado. Ele apresentou a CTPS original com anotações de aumentos salariais por dissídio e o extrato do FGTS. O juiz aceitou a reconstrução por média baseada nos depósitos de FGTS. O resultado foi um aumento de 22% na aposentadoria e o recebimento de R$ 38 mil em atrasados.

Cenário de Perda (Falta de Contemporaneidade):

O segurado tentou provar que recebia comissões “por fora” através de uma declaração atual de um antigo colega de trabalho, sem qualquer documento da época que registrasse o valor. O INSS indeferiu e o juiz manteve a negativa, alegando que a prova testemunhal isolada não substitui o início de prova material escrita contemporânea aos fatos.

Erros comuns na Revisão de Salários Antigos

NITs Múltiplos: Não unificar os números de identificação (PIS/PASEP/NIT) antes de pedir a revisão, deixando salários “escondidos” em outras contas.

Ignorar o FGTS: Deixar de solicitar o Extrato Analítico do FGTS na Caixa, que é a prova mais barata e rápida para reconstruir remunerações.

Aposta em Testemunhas: Acreditar que amigos que trabalharam junto podem “dizer quanto eu ganhava” sem que haja um papel assinado da época para apoiar.

Extemporaneidade Documental: Apresentar documentos feitos hoje sobre fatos de 30 anos atrás; o INSS descarta sumariamente esse tipo de evidência.

Cálculo Sem Teto: Ignorar que a revisão pode ser inútil se os salários reais, após corrigidos, ainda ficarem acima do Teto da Previdência da época.

FAQ sobre Revisão de Salários e Documentação

O que fazer se eu não tiver nenhum holerite daquela época?

A ausência de holerites é a situação mais comum, mas existem substitutos legais poderosos. O principal deles é o Extrato Analítico do FGTS, que pode ser solicitado em qualquer agência da Caixa Econômica Federal. Como o depósito do FGTS é sempre 8% do salário, o cálculo inverso permite provar qual era a remuneração exata do mês.

Além disso, você pode buscar a Ficha de Registro de Empregados ou o Livro de Registro na empresa. Se a empresa faliu, os documentos costumam estar com o administrador judicial ou no sindicato da categoria, que mantém cópias de acordos coletivos e tabelas salariais históricas para servir de âncora de prova.

A anotação na Carteira de Trabalho prova os aumentos de salário?

Sim, as páginas de “Alterações de Salário” na CTPS têm presunção de veracidade. O problema é que muitas vezes as empresas só anotavam o salário de admissão e esqueciam de atualizar as alterações anuais. Nesses casos, a prova recai sobre as páginas de Anotações Gerais ou de “Férias”, que indicam a remuneração sobre a qual as férias foram pagas.

Se as anotações estiverem incompletas, o segurado deve utilizar as tabelas salariais do sindicato da época. Ao provar que exercia a função de “Oficial de Manutenção”, por exemplo, pode-se requerer que o salário aplicado seja o piso estabelecido na convenção coletiva daquele ano, fugindo do salário mínimo imposto pelo INSS.

Qual o prazo máximo para pedir a revisão dos salários antigos?

O prazo é de 10 anos (decadência), contados a partir do primeiro dia do mês seguinte ao do recebimento da primeira prestação da aposentadoria. Se você se aposentou em 2014 e recebeu o primeiro pagamento em janeiro de 2015, seu prazo expirou em janeiro de 2025. Após esse período, o valor da aposentadoria torna-se imutável legalmente.

Há uma exceção importante: se você já havia pedido o acerto desses salários no momento da concessão e o INSS ignorou a prova apresentada, pode-se argumentar que o erro administrativo impede a contagem da decadência. Porém, essa é uma tese complexa que exige a cópia integral do processo administrativo original para ser sustentada em juízo.

O que são as microfichas do INSS e como elas ajudam?

Antes da criação do CNIS em 1989, as contribuições eram registradas em sistemas fragmentados e em fichas físicas. As microfichas são fotografias desses registros antigos que o INSS mantém em seus arquivos centrais. Muitas vezes, o salário não aparece no computador do servidor da agência, mas está registrado na microficha.

O segurado tem o direito de exigir que o INSS faça a busca nessas microfichas através de um pedido de Pesquisa de Microfichas. Se o órgão se recusar ou alegar que não encontrou, e o segurado tiver a CTPS assinada, o juiz pode inverter o ônus da prova e obrigar o INSS a provar que o segurado não ganhou aquele valor, o que é quase impossível para o governo.

Como provar salários de contribuição se fui trabalhador autônomo?

Para o autônomo (contribuinte individual), a regra é mais rígida. O INSS exige a guia física de recolhimento (GPS ou carnê). Se você perdeu os carnês, a prova pode ser feita através de microfichas de recolhimento ou extratos bancários da época que mostrem o débito automático da contribuição previdenciária.

Outro caminho para o autônomo é a Declaração de Imposto de Renda de anos anteriores a 1994. Se você declarou rendimentos de trabalho autônomo e pagou imposto sobre eles, o fisco possui o registro da base de cálculo, o que serve como prova documental para retificar o CNIS e aumentar a média da aposentadoria.

A Revisão da Vida Toda tem relação com a atualização de salários antigos?

Sim, total relação. A Revisão da Vida Toda permite incluir no cálculo da aposentadoria todos os salários de contribuição anteriores a julho de 1994. Para que essa revisão seja vantajosa, é fundamental que esses salários antigos não estejam zerados ou limitados ao mínimo no CNIS.

Muitas pessoas perdem a chance de ganhar a Vida Toda porque o cálculo preliminar usa os dados errados do CNIS. Ao realizar o acerto de remunerações antes de pedir a revisão, o segurado garante que a média calculada será a real, muitas vezes dobrando o valor do proveito econômico da ação judicial.

Posso usar extratos bancários para provar o salário recebido?

Extratos bancários da época são considerados provas subsidiárias. Eles ajudam a demonstrar que você recebia depósitos regulares da empresa “X” no valor de “Y”. No entanto, como o banco não registra a natureza da verba (pode ser salário, mas também reembolso de despesas), eles precisam estar acompanhados de outro documento.

O extrato bancário é excelente para fechar lacunas. Se você tem holerites de jan/fev e abr/mai, mas perdeu março, o extrato bancário de março com o mesmo valor de depósito dos meses vizinhos cria uma presunção lógica fortíssima de que o salário se manteve, sendo aceito na maioria dos tribunais federais.

O que significa o indicador “IREM-DPES” no meu CNIS?

Essa sigla significa “Remuneração Informada com Extemporaneidade”. Na prática, o INSS está dizendo que a empresa informou o valor do seu salário muito tempo depois do fato gerador, e por isso ele não confia naquele dado. Enquanto houver esse indicador, o INSS vai descartar o valor e usar o mínimo no cálculo.

Para “limpar” esse indicador, você deve apresentar documentos contemporâneos (CTPS ou holerite). Uma vez apresentada a prova, o servidor retira a sigla e o valor real passa a contar para a sua média. Ignorar essas siglas de erro é o motivo número um de aposentadorias com valores menores do que o direito real do segurado.

Como provar salários de uma empresa que faliu e os donos sumiram?

Nesta situação crítica, a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) é sua maior aliada. Trata-se de um registro que a empresa era obrigada a enviar anualmente ao governo. Você pode solicitar uma cópia da RAIS histórica no Ministério do Trabalho. Como é um documento oficial do governo, o INSS tem dificuldade em contestar sua validade.

Outra opção é buscar o Processo de Falência na justiça estadual. O administrador judicial costuma guardar os livros de registro e fichas financeiras por muitos anos. Uma certidão emitida pelo administrador judicial detalhando seus salários mês a mês tem fé pública e é aceita prontamente para atualizar o PBC.

A inclusão de salários antigos pode diminuir o valor da minha aposentadoria?

Em tese, não, pois o segurado tem direito ao melhor benefício. Porém, matematicamente, se você incluir salários que eram muito baixos (períodos de desemprego ou subemprego), a média aritmética pode cair. O INSS, por lei, não pode reduzir o valor que você já recebe se você pediu uma revisão para aumentar.

No entanto, para evitar perda de tempo, o planejamento contábil é obrigatório. Um cálculo especializado vai dizer se vale a pena incluir aquele período de 1983 ou se é melhor deixá-lo fora do cálculo. A revisão deve ser estratégica: focar apenas nos períodos em que o salário real era superior ao que consta no sistema.

Referências e próximos passos

  • Solicite o Extrato Analítico do FGTS presencialmente na Caixa Econômica Federal para ter a prova base de cálculo.
  • Peça a Cópia Integral do Processo Administrativo (PA) de concessão no portal Meu INSS para ver como o cálculo foi feito originalmente.
  • Realize um Cálculo de Viabilidade Econômica com um especialista para garantir que a revisão superará os custos processuais.
  • Verifique a existência de Microfichas junto ao INSS caso possua vínculos entre 1973 e 1982.

Leitura relacionada:

  • Entenda a Revisão da Vida Toda e quem tem direito
  • Como ler os indicadores de erro do CNIS sem ser especialista
  • Prazos decadenciais: o guia definitivo para revisões previdenciárias
  • O impacto do Teto Previdenciário nos cálculos de revisões históricas

Base normativa e jurisprudencial

O arcabouço jurídico que sustenta a atualização de salários antigos está ancorado no Artigo 19 do Decreto 3.048/1999, que estabelece o direito do segurado de retificar os dados do CNIS a qualquer tempo. Complementarmente, a Instrução Normativa INSS nº 128/2022 detalha os procedimentos e documentos aceitos para prova de remuneração, enfatizando a primazia da contemporaneidade documental sobre meras declarações.

No âmbito jurisprudencial, a Súmula 75 da TNU (Turma Nacional de Uniformização) consolida que a CTPS devidamente anotada goza de presunção juris tantum de veracidade, cabendo ao INSS o ônus de provar eventual fraude. Além disso, as teses fixadas pelo STJ no Tema Repetitivo 638 reforçam a necessidade de início de prova material para reconhecimento de tempo de serviço e valores, vedando a prova exclusivamente testemunhal em questões de valor salarial.

Considerações finais

Resgatar o valor real de uma aposentadoria através da atualização de salários antigos é um exercício de justiça financeira. O sistema previdenciário, embora digitalizado, carrega as cicatrizes de décadas de má gestão de dados e transições econômicas turbulentas. O segurado que não audita seu PBC aceita passivamente uma punição por erros que não cometeu, permitindo que a inflação do passado corroa seu sustento no presente.

A reconstrução desse histórico é trabalhosa, mas os resultados costumam ser transformadores, especialmente para quem ocupou cargos de relevância técnica ou administrativa. A chave do sucesso reside na organização documental antecipada e na compreensão técnica de que o CNIS é apenas o ponto de partida, nunca a palavra final. Proteja seu histórico contributivo: ele é o seu maior patrimônio após uma vida inteira de trabalho.

Ponto-chave 1: O Extrato de FGTS é a prova indireta mais poderosa para reconstruir salários zerados no sistema.

Ponto-chave 2: A Carteira de Trabalho (CTPS) possui presunção de verdade legal; use as páginas de alterações e férias.

Ponto-chave 3: A revisão tem prazo fatal de 10 anos; ignore esse limite e o direito será extinto definitivamente.

  • Mantenha sempre a CTPS original guardada em local seco e seguro; ela é seu principal documento.
  • Digitalize todos os holerites antigos em PDF colorido antes que a tinta térmica desapareça.
  • Consulte um perito contábil previdenciário para validar o cálculo da nova RMI antes de qualquer ação.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado habilitado ou profissional qualificado.

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